Com a chegada do Natal, a busca por presentes que fujam do óbvio dá espaço à literatura nacional independente, que aparece como uma alternativa criativa e diversa. Do romance com clima natalino à fantasia inspirada em animes, passando por narrativas que dialogam com mitologia, história e dilemas contemporâneos, autoras e autores brasileiros lançaram obras que se encaixam em diferentes perfis de leitores.
O Sága reuniu uma seleção de livros nacionais para quem quer presentear neste fim de ano, valorizando a bibliodiversidade e a força da cena independente
Histórias escritas na água, de Sonia Zaghetto

Com uma escrita marcada pelo lirismo e pelo realismo mágico, Histórias escritas na água, de Sonia Zaghetto constrói um romance-ritual que reflete sobre o sentido da vida, o fluir da existência e a inevitabilidade da morte. A obra entrelaça múltiplas histórias de personagens profundamente humanos, atravessados por culpa, medo, paixões e fracassos. Em um jogo de vozes e destinos, o livro questiona até que ponto nossas escolhas definem quem somos e se, no acerto final de contas com a vida, ainda há espaço para redenção.
Uma narrativa delicada e densa, guiada pela compaixão e pela consciência da finitude.
Açougueira, de Marina Monteiro

Em Açougueira, Marina Monteiro constrói um romance inquietante, no qual uma narradora apresenta seu testemunho diante de um júri. Mulher silenciosa e observadora, ela vive à margem, “por uma fresta”, em confronto direto com normas religiosas, sociais e morais. A obra se destaca pelo trabalho rigoroso com linguagem e forma, criando uma narrativa polifônica que provoca o leitor e desafia expectativas.
Um livro para quem busca literatura que incomoda, tensiona e permanece.
Lágrimas de Carne, de Fernanda Castro

Finalista do Prêmio Jabuti 2024, em Lágrimas de Carne, Fernanda Castro constrói uma fantasia marcada por ritual, morte e maternidade ambígua. A narrativa acompanha uma carpideira e seus filhos adotivos em um sertão atravessado por tensões morais e desejo de poder. Além da edição digital, o livro conta com uma edição física artesanal da Arte & Letra, com capa de tecido, cópias numeradas e textos inéditos, expandindo o diálogo entre literatura e objeto gráfico.
Os Agentes do Caos, de Fábio Fernandes

Vencedor do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica 2025, o segundo volume da série As Aventuras de January Purcell consolida Fábio Fernandes como um dos nomes da ficção científica brasileira contemporânea. A narrativa acompanha January, uma oneironauta que atravessa sonhos e épocas para proteger a linha temporal, em um universo onde clássicos da ficção científica são tratados como relatos históricos.
O Filho do Sol, de Daniel Renattini

Primeiro volume de uma saga, O Filho do Sol apresenta Alex Cipriani, um adolescente que descobre ser um elemental do fogo enquanto enfrenta perdas, dúvidas e o medo do desconhecido. A narrativa se afasta de dicotomias clássicas entre heróis e vilões, apostando em dilemas morais, amadurecimento e consequências. Uma fantasia urbana que dialoga com o processo de transição entre adolescência e vida adulta.
03 dias para se apaixonar, de Stefany Nunes

Com clima de Natal, o romance 03 dias para se apaixonar, de Stefany Nunes acompanha Hannah Maxwell e Austin Smith, dois jovens que insistem em negar o que sentem. Uma aposta os obriga a passar três dias juntos durante o Natal, seguindo tarefas românticas que colocam em xeque a crença de que o amor não nasce rápido.
Leitura leve, voltada a quem busca romance contemporâneo e atmosfera afetiva de fim de ano.
Dez Mil Sóis, de Renan Carvalho

Misturando fantasia, cultura pop e memória histórica, Dez Mil Sóis se passa no pós-bomba atômica em Hiroshima. A trama acompanha quatro irmãos que descobrem habilidades especiais enquanto tentam reencontrar os pais desaparecidos. Com referências a animes, samurais, youkais e mechas, o livro aposta em uma aventura épica que dialoga tanto com leitores jovens quanto com fãs de narrativas híbridas.
Prosérpina, de Anna Martino

Partindo da pergunta “e se uma pintura pudesse se apaixonar?”, Prosérpina mistura romance, arte e magia. A história acompanha Theo Janssen, colorista inglês que se envolve em um mistério ao investigar um quadro enigmático. Com edições limitadas e cuidado estético, o livro se destaca pela sensibilidade narrativa e inclui um conto extra protagonizado por um personagem querido do público leitor.