O seu portal para literatura independente

Feira do Livro do Pacaembu reúne mais de 30 estandes de editoras independentes de diferentes gêneros literários

Com programação gratuita e centenas de expositores, evento em São Paulo abre espaço para editoras e autores independentes
Estande na feira do livro
Estande na feira do livro. Foto: Matheus Alves

Uma nova tradição paulistana — o feriado de Corpus Christi marca a chegada da Feira do Livro 2026, evento organizado pela Prefeitura de São Paulo que reúne editoras e autores com obras da literatura latino-americana. Com início no último sábado (30), o festival literário acontece na Praça Charles Miller, em frente à Mercado Livre Arena Pacaembu, estendendo-se até o próximo domingo (7). A feira reúne mais de 160 expositores e dezenas de editoras independentes. 

Ao todo, são 200 atividades gratuitas ao longo dos nove dias de imersão no universo literário. Debates, lançamentos, rodas de conversa, podcasts e diversas outras atrações compõem a programação oficial.

Realizada pelo Ministério da Cultura, por intermédio da Associação Quatro Cinco Um e da Maré Produção, com incentivo da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 é um espaço democrático de encontro entre leitores, autores, escritores e editoras. Em uma das principais capitais culturais do país, o evento é oportunidade para que as pessoas se aproximem da cena literária. “Permite que muita gente conheça algumas editoras independentes, que são menores, que têm menos recursos para investir em mídia e divulgação”, compartilha Evelyn Sertório, que trabalha como vendedora no estande da Editora Dublinense.

“Essa feira aqui é sensacional. Eu a considero a melhor de São Paulo”, conta Glauber Lopes, escritor e ilustrador independente que aproveitou a oportunidade para apresentar e vender sua mais recente HQ, Registros, uma coletânea de memórias em quadrinhos sobre mochilões pela América do Sul. Há 11 anos trabalhando com produção literária, ele acredita que A Feira do Livro é um dos eventos que mais abre espaço para artistas independentes dentro do calendário cultural da cidade.

De pessoa em pessoa, assim como Glauber, Renato Gouveia também aproveitou a semana para bater perna em frente ao Pacaembu vendendo seus livros. “Eu não sei se é permitido, mas não estou aqui vendendo droga — estou vendendo cultura”, brinca o autor de Resta 1 e Contos Ilustrados por Ilustríssimos Ilustradores, obras que carrega nas mãos e apresenta a todos os que estejam dispostos a conhecer um pouco mais do seu trabalho. “Claro que gasta carisma, mas é o melhor meio de vender livros como autor independente”, completa Renato, que conta ter vendido mais de 50 exemplares no fim de semana.

Eduardo Lacerda, editor da Editora Patuá, acredita que esse tipo de evento “ajuda a popularizar o livro, formar leitores e fazer a literatura circular pelo país”. A cada ano, o público da feira cresce, muda e traz novos desejos, gostos e interesses pela literatura. Para eles, o retorno é garantido: “A gente consegue duplicar ou triplicar o que investe para estar aqui. É muito bom esse retorno financeiro”. Segundo ele, também há um retorno simbólico para os autores, que têm a oportunidade de participar desse grande espaço de divulgação sem custos elevados. Mas o sucesso da casa editorial também é compartilhado com outras editoras que ainda estão em processo de consolidação na cena independente. Como uma espécie de plataforma de apoio, a Patuá acolhe editoras menores que não possuem condições financeiras para arcar com os custos de um estande próprio no festival. “Como a gente começou pequenininho e cresceu, acho que outra editora que vem aqui com a gente agora uma hora vai crescer e vai ter o seu próprio estande.”

Para pequenos autores independentes, esse tipo de iniciativa amplia as possibilidades de apresentar seus trabalhos ao público. Em vez de depender exclusivamente da circulação digital, a divulgação passa também pelo encontro presencial e pela mediação direta entre autores, editoras e leitores. “Eu acho isso fundamental. É olhar no olho das pessoas, é falar com paixão sobre o livro que a gente publicou, e isso permite o encontro”, completa Eduardo.